Embraer 50 anos: uma história de inovação e orgulho nacional

Nascida do empenho – e da sorte - de um brasileiro brilhante, empresa tornou-se a terceira maior indústria aeronáutica do mundo e decola para voos ainda mais altos

Embraer 50 anos: uma história de inovação e orgulho nacional [UMotor I Fábio Ometto]

A Empresa Brasileira de Aeronáutica S.A. – Embraer – comemora hoje 50 anos de fundação. Criada pelo governo brasileiro, durante o regime militar, como empresa de capital misto e controle estatal, a Embraer teve como proposta inicial transformar a ciência e tecnologia desenvolvidas pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e pelo então Centro Técnico de Aeronáutica (CTA) – hoje Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) -, em engenharia e capacidade industrial.

Em 1994, a Embraer foi privatizada e, desde então, tornou-se a maior exportadora de produtos manufaturados de alta tecnologia do hemisfério sul e a terceira maior fabricante de jatos comerciais do mundo. Sediada no Brasil, a empresa global atua nos segmentos de aviação Comercial, Executiva e Agrícola, de Defesa & Segurança, bem como em Serviços & Suporte, nos quais projeta, desenvolve, produz e comercializa aeronaves, sistemas e assistência ao cliente. Desde 1969, a Embraer já entregou mais de oito mil aeronaves e, atualmente, emprega cerca de 18 mil funcionários diretos em todo o mundo.

EMB 100 Bandeirante 1969 [Divulgação]

A chave para a decisão dos militares em investir na instalação da Embraer em São José dos Campos, SP, onde já estavam as duas instituições de tecnologia aeronáutica, foi a produção em série do primeiro avião 100% nacional, o EMB Bandeirante, para ser incorporado à Força Aérea Brasileira e cujo protótipo já havia feito o primeiro voo experimental em 1968.

O responsável por convencer o presidente da República, à época, o General Artur da Costa e Silva, a dar o sinal verde para o projeto foi o então major Ozires Silva, engenheiro aeronáutico formado pelo ITA, que liderava os projetos de criação da Embraer e de construção do avião brasileiro. E, segundo ele mesmo admite, contou com uma “mãozinha do destino” para que as coisas acontecessem.

Ozires Silva [Divulgação]

Segundo o hoje Coronel Ozires Silva, o seu “dia de sorte” aconteceu em 20 de abril de 1969, quando um nevoeiro obrigou o avião do presidente Costa e Silva, que seguia para um evento em Guaratinguetá, também no interior paulista, a desviar o pouso para São José dos Campos. “Eu e minha equipe estávamos trabalhando naquele domingo. Então, como não tinha ninguém lá para recebê-lo, eu tive que fazer isso sozinho. Era a minha chance de fazer uma `lavagem cerebral´ e convencê-lo a criar uma estatal fabricante de aviões”, relatou ele, em entrevista para o portal Infomoney, em 2016.

Ao longo da hora que teve disponível com o presidente, o major Ozires conduziu o presidente para conhecer os hangares, enquanto detalhava o projeto de uma aeronave para atender as necessidades do país e a ideia de criar a empresa para viabilizá-lo, uma vez que investidores estrangeiros não queriam colocar dinheiro na iniciativa e o governo já havia rejeitado a possibilidade de uma sociedade mista, afirmando que algo desse porte deveria ser encaminhado pela iniciativa privada. Ao final da visita, Costa e Silva se comprometeu a “examinar a ideia”.

Linha de produção do EMB Bandeirante [Divulgação]

Cerca de dois meses depois, a pedido do governo, lá estava o major Ozires Silva, aos 35 anos de idade, apresentando os planos para um grupo de ministros, em Brasília. Presente à reunião, Delfim Netto, da Fazenda, se mostrou relutante, a princípio, por conta dos custos envolvidos, mas acabou comprando a ideia. Ao perguntar a Ozires qual seria o nome da empresa, recebeu a resposta pronta: “Embraer, Empresa Brasileira de Aeronáutica.”

Sob as bênçãos do governo, Ozires e seu grupo de trabalho seguiram adiante e, em 19 de agosto de 1969, apenas quatro meses após aquele bem-vindo nevoeiro, era fundada a Embraer. Designado como o presidente da Empresa, Ozires se manteve no cargo até 1986, quando aceitou convite para ocupar a mesma função na Petrobras.

Embraer E-Jet [Divulgação]

Desde a privatização, a Embraer acumula uma carteira de 100 clientes no segmento Comercial, que operam as famílias de aeronaves ERJ e E-Jet. Perto de 900 unidades dos jatos regionais ERJ 145, com 37, 44 e 50 assentos, foram entregues desde sua introdução, em 1996. A família de E-Jets, formada pelo E170, E175, E190 e E195, têm entre 70 e 130 assentos e, segundo a empresa, definem o padrão em sua categoria, por conta da engenharia avançada, alto grau de eficiência, espaço interno (com assentos de dois por dois) e economia operacional.

Em 2013, a Embraer lançou o E2, a segunda geração da família de E-Jets, composta por três novas configurações – E175-E2, E190-E2, E195-E2 – com capacidade para 70 a 146 passageiros. Ainda de acordo com a fabricante, somente no programa de E-Jets, ela registrou quase 1.900 pedidos firmes e 1.500 entregas, distribuídos por cerca de 80 empresas aéreas, em 50 países.

Jatos comerciais Boeing e Embraer [Divulgação]

Foi essa excelência da Embraer no segmento de jatos comerciais até 150 passageiros que despertou o interesse da gigante norte-americana Boeing em estabelecer uma parceria com a fabricante brasileira, para enfrentar a concorrência após a fusão entra a sua maior rival, a francesa Airbus, com a canadense Bombardier, maior concorrente da Embraer no segmento de jatos comerciais. Após a aprovação dos órgãos oficiais – incluindo o aval já confirmado pelo governo brasileiro, que mantém seu poder de veto em parte das decisões dentro da Embraer, por conta dos interesses estratégicos nacionais desenvolvidos pela Empresa – a joint venture denominada Boeing Brasil – Commercial deve ser oficializada até o final deste ano.

A nova empresa incorporará toda a área de aviação comercial da Embraer, que responde por cerca de metade do faturamento da fabricante brasileira, e foi avaliada em 5,2 bilhões de dólares para a negociação. O controle acionário da joint foi dividido em 80% para a Boeing e 20% para a Embraer, e sua sede será mantida em São José dos Campos, SP, onde fica a principal planta da representante nacional.

Importante destacar que as outras áreas de atuação da Embraer – Executiva, Agrícola, Serviços e, especialmente, a de Defesa & Segurança – não foram incluídas no negócio e continuam com 100% dos controles acionário e das patentes nas mãos da empresa nacional. A única área de intersecção entre o acordo com a Boeing e o segmento de defesa da Embraer é a previsão de uma área de negócios específica para a comercialização do modelo multiuso KC-390.

Embraer Praetor 500 [Divulgação]

A Embraer entrou no mercado de jatos executivos em 2000, com o Legacy, que levou ao lançamento de novos modelos em 2005, tornando-a uma das principais fabricantes do mundo.

A Companhia lançou em 2018 os novos jatos Praetor 500 e Praetor 600, das categorias de jatos médio e supermédio, respectivamente, com tecnologia fly-by-wire (sem fios) completa e redução de turbulência, introduzindo um alcance sem precedentes em seus segmentos. Seu amplo portfólio inclui os jatos Phenom 100EV, Phenom 300E, Legacy 450, Legacy 500, Legacy 650E e Lineage 1000E.

A frota global da Embraer de jatos executivos supera 1.400 aeronaves, que estão em operação em mais de 70 países. Para atendê-los, a empresa criou uma rede global de suporte e serviços, composta por mais de 80 centros próprios e autorizados, conectados por um canal de assistência ao cliente que funciona 24 horas por dia.

Embraer EMB 203 Ipanema [Divulgação]

O Ipanema é um dos primeiros aviões lançados pela Embraer e fabricado ininterruptamente há quase 50 anos, na unidade de Botucatu, SP. Suas múltiplas aplicações incluem a pulverização de defensivos contra vetores e larvas, plantio de sementes e combate primário a incêndios.

Em 2015, foi lançada uma nova versão da aeronave, movida a etanol, o EMB 203 Ipanema. No ano passado, o modelo atingiu a marca de 1.400 unidades produzidas ao longo das cinco décadas, ocupando a liderança no segmento de aviação agrícola no Brasil, com 60% de participação de mercado, de acordo com a fabricante.

Na última sexta-feira (16), a Embraer revelou as primeiras imagens do protótipo do Ipanema 100% elétrico, criado em parceria com a WEG. A aeronave para demonstração da tecnologia de propulsão alimentada por baterias deve fazer seu primeiro voo experimental no ano que vem.

Embraer KC-390 [Divulgação]

A área estratégica de Defesa & Segurança da Embraer, líder na indústria aeroespacial e de defesa da América Latina, com mais de 60 países atendidos inclui as empresas coligadas Atech, Visiona, OGMA e Savis, e oferece soluções completas para todas as forças armadas.

Maior modelo já construído pela Embraer, o KC-390 é uma aeronave de transporte tático de tropas e equipamentos, projetada para estabelecer novos padrões em sua categoria, ao mesmo tempo em que apresenta o menor custo de ciclo de vida, com potencial de mercado internacional, inclusive para uso civil.

Embraer A-29 Super Tucano [Divulgação]

O A-29 Super Tucano, aeronave de ataque leve e de treinamento avançado, também é mundialmente renomado e selecionado por 15 forças aéreas, incluindo a dos Estados Unidos.

Paralelamente, a Embraer Defence & Security oferece uma linha completa de soluções integradas como aplicações C4I (Comando, Controle, Comunicação, Computadores e Centro de Inteligência); tecnologias de ponta na produção de radares, controle de tráfego aéreo e sistemas de comunicação; sistemas integrados de monitoramento de fronteiras e vigilância; bem como aeronaves de transporte militar e governamental.


Embraer Serviços & Suporte [Divulgação]

A Embraer Serviços & Suporte foi estrategicamente criada no final de 2016 para alavancar os negócios pós-venda da fabricante. Para isso, conta com uma rede global de assistência composta por mais de 80 centros de serviços próprios e autorizados, mais de 2.300 colaboradores em todo mundo para atender mais de 1.700 clientes, os quais operam mais de 5.600 aeronaves.

O novo portfólio de produtos, serviços e soluções “Tech Care” abrange os seguintes segmentos: Treinamento, Manutenção, Materiais, Modificações de Aeronaves, Operações de Voo, Suporte de Campo, Suporte Técnico e Soluções Inovadoras. O Centro de Serviços da Embraer em Sorocaba, SP, inaugurado em 2014, conta com uma moderna infraestrutura de hangares, oficinas e salas VIP. Segundo a empresa, já foram atendidos cerca de 70% dos clientes do país, com mais de 90% dos aviões retornando à operação em menos de 24 horas.

Conceito EmbraerX [Divulgação]

A inovação faz parte do DNA da Embraer. Por conta disso, foi criada a EmbraerX, uma subsidiária integral voltada ao desenvolvimento do primeiro conceito do veículo elétrico de decolagem e pouso vertical, conhecido pela sigla em inglês eVTOL, por meio de uma cooperação com a Uber e outras empresas.

Em junho deste ano, a EmbraerX revelou o novo projeto durante a Uber Elevate Summit 2019, nos Estados Unidos, evento que reúne fabricantes, investidores e representantes governamentais de todo o mundo, com o objetivo de tornar realidade a visão sobre a mobilidade aérea urbana compartilhada.

Planta da Embraer em São José dos Campos, 1969 [Divulgação]

Ainda como parte da celebração pelos 50 anos, a Embraer promove a campanha publicitária global “Movida a desafios, guiada por sonhos”. No portal da empresa, é possível acessar um hotsite com conteúdo exclusivo sobre toda a sua trajetória e a nova versão do Centro Histórico Embraer, mais moderno e intuitivo. Disponível em diversos formatos, o material destaca a indústria aeronáutica nacional com informações e imagens de aeronaves, fábricas e dos produtos.

Conheça um pouco mais sobre as origens da Embraer nesse registro histórico sobre o primeiro voo do EMB Bandeirante, em 1968:


Primeiro voo – EMB 100 Bandeirante [Divulgação]