Nasa faz primeiro voo da história em outro planeta

Drone espacial Ingenuity decolou do solo de Marte para teste curto, mas aguardado com grande expectativa. Conquista é crucial para os planos de missões tripuladas

Nasa faz primeiro voo da história em outro planeta (Ilustração)

Um pequeno voo para um drone, mas um salto gigantesco para as pretensões do homem em chegar a Marte. Resumidamente, é dessa forma com que a Nasa (National Aeronautics and Space Admnistration), a agência espacial dos Estados Unidos, comemora o feito realizado nesta segunda-feira (19), pelo seu Laboratório de Jato Propulsão (JPL).

Às 7h50 da manhã, no horário de Brasília, o mini-helicóptero espacial Ingenuity decolou do solo marciano para o seu primeiro teste dinâmico, e pousou no mesmo ponto de partida, completando a manobra com sucesso. O experimento era aguardado com grande expectativa e incerteza pelos responsáveis da missão, devido à atmosfera rarefeita do planeta vermelho, onde a pressão corresponde a 1% em comparação à da Terra. Felizmente, tudo saiu conforme planejado, como pode ser visto no vídeo registrado pelo rover Preserverance, o veículo controlado à distância que está explorando a superfície de Marte:

De acordo com a equipe de controladores, o aparelho semelhante a um drone fez um voo vertical curto, que não passou dos três metros de altura, manteve-se suspenso durante 30 segundos, executou um giro de 96º no ar e retornou ao solo, suavemente.

Para a Nasa, esse tipo de engenho pode ser fundamental para a exploração de planetas no futuro, pelo fato de ser capaz de ir a locais onde os rovers não conseguem ter acesso, como desfiladeiros, por exemplo.

Ingenuity mede pouco mais de meio metro de altura e é alimentado por energia solar

O Ingenuity mede pouco mais de meio metro de altura e pesa 1,8 kg. O mini-helicóptero, ou drone, é composto de um corpo em forma de cubo, com quatro hastes de apoio, onde ficam alojadas as três pequenas baterias de íons de lítio (mesma composição das que são usadas pela maioria dos atuais carros elétricos), e por duas hélices de 1,2 metro, feitas de fibra de carbono, material ultra leve e resistente, desenvolvido pela própria Nasa.

Painel solar instalado acima das hélices capta a energia solar que alimenta as baterias de íon

A alimentação das baterias é feita por meio de um painel solar instalado acima das hélices, que também fornece energia para o sistema de aquecimento interno do aparelho, para que ele não congele durante as noites de Marte, quando a temperatura ambiente pode chegar a até 90ºC abaixo de zero.

Drone espacial Ingenuity funciona conectado ao rover Perseverance, controlado da Terra

Acoplado ao rover Perseverance, o Ingenuity foi levado ao espaço pelo foguete Atlas V 541, lançado da base do Cabo Canaveral, na Flórida, em 30 de julho do ano passado, para uma viagem de seis meses e meio até Marte, onde aterrissou no dia 18 de fevereiro.

Desde então, o Ingenuity passou por várias fases, desde os testes de resistência a baixas temperaturas e a poeira, até a atualização do programa de gerenciamento (software).

MiMi Aung dirige a equipe de controladores do Laboratório de Jato Propulsão da Nasa

Pouco depois do voo inaugural do Ingenuity, os dados recebidos pela Nasa, na Flórida, informavam que tudo ocorreu como previsto e a confirmação de que o teste foi executado com perfeição. Em seguida, o Ingenuity enviou a primeira fotografia captada por ele durante o voo, com a imagem da própria sombra projetada no solo.

As imagens transmitidas pela Nasa mostram a equipe comandada por MiMi Aung, diretora do projeto Ingenuity Mars Helicopter, comemorando o sucesso da missão, depois de ter recebido as primeiras informações e o vídeo.

No ar: primeira imagem captada pelo Ingenuity mostra a própria sombra durante o voo

Agora, depois desse teste bem-sucedido, os operadores da missão se preparam para a próxima experiência com o drone, que será um outro voo curto, porém agora tentando executar um pequeno trajeto oval, a até 30 metros de distância do local de onde a pequena aeronave se encontra atualmente.

A agência espacial planeja efetuar até cinco voos de testes para o Ingenuity, com níveis de dificuldade progressivos ao longo de um mês.

Foguete Atlas V 541 partiu em julho de 2020 para a viagem de quase sete meses até Marte

A Nasa também revelou que um pequeno pedaço de tecido da aeronave dos irmãos Wright, que decolou há mais de um século na Carolina do Norte, nos Estados Unidos, foi colocado no Ingenuity como homenagem.

O Laboratório de Jato Propulsão trabalha também em outro projeto voador da missão Dragonfly (Libélula, em português), que em 2026 enviará um drone até a maior lua de Saturno, Titã, onde está prevista para chegar em 2034.

Fonte: Nasa e Agência Brasil I Tradução e edição: Fábio Ometto I Imagens: Divulgação