Audi TT: uma escultura atemporal em movimento

Completando 25 anos de vida, esportivo se impõe entre os clássicos da engenharia alemã, graças ao seu design limpo e funcional, aliado ao desempenho empolgante




Audi TT: uma escultura atemporal em movimento

O tempo passa, os anos voam… E lá se vai um quarto de século desde que a Audi estabeleceu nova referência na história do design, com um esportivo de formas inovadoras para os padrões da marca das quatro argolas e da própria época.

A partir de seu lançamento e início de produção, em 1998, o Audi TT conquistou mentes, corações e prêmios ao redor do mundo, graças à sensação divertida ao volante, como a de conduzir um kart, e ao seu visual único – que mescla linhas marcantes e geométricas, com foco na funcionalidade -, inspirado na icônica escola de design germânica Bauhaus.

Audi TT Coupé: encontro de gerações

A escolha do nome Audi TT Coupé, fora da nomenclatura habitual da Audi, destacou a completa originalidade do modelo. A sigla “TT” faz referência ao lendário Tourist Trophy, na Ilha de Man, um dos mais antigos eventos de automobilismo do mundo e onde a NSU e a DKW, comemoraram grandes sucessos, sendo, posteriormente, ambas integradas ao que hoje é conhecida como a Audi AG. O nome “TT” também lembra o esportivo NSU TT dos anos de 1960.

Vale lembrar que, em 1969, a NSU passou a integrar a Auto Union, fábrica alemã de automóveis fundada em 1932, durante a Grande Depressão (causada pela quebra da bolsa de Nova Iorque, três anos antes), a partir da união de quatro fábricas: a própria Audi, mais a DKW, a Horch e a Wanderer. Daí, o símbolo dos aros quádruplos.

Audi TT Coupé 1998

O nome Audi, segundo a matéria do portal G1, vem dessa mesma palavra em latim, cujo significado é “ouvir”, conotação semelhante à de “horch”, em alemão – que, não por acaso, é o sobrenome do fundador da marca, August Horch. 

Desde o dia 1º de janeiro de 1985, a Auto Union passou a se chamar oficialmente, Audi AG (com sede em Ingolstadt, na Alemanha), mas mantendo o icônico símbolo multicircular.

Audi A8 1994

Foi em 1994 que o sedã de alto luxo Audi A8 – substituto do Audi V8 – elevou o patamar da Audi e deu início à renomeação gradual do portfólio de veículos. Assim, o Audi 80 se tornou Audi A4, inaugurando a nova linguagem de design da Casa de Ingolstadt, enquanto o Audi 100 passou a atender pelo nome de Audi A6. Em seguida veio o compacto premium Audi A3, em 1996, e a segunda geração do Audi A6, no ano seguinte.

1ª GERAÇÃO (1998 – 2006)

Audi TT Coupé

O estilo do Audi TT começou a ser tracejado na primavera de 1994 no Volkswagen Group Design Center na Califórnia. Àquela altura, ao atribuir significado à marca por meio de um design novo e progressivo, o designer americano Freeman Thomas, sob o comando do então chefe de design Peter Schreyer, criou, também, um carro esportivo purista, nomeado como Audi TT Coupé. O projeto foi apresentado para o público no Salão de Frankfurt, na Alemanha, em setembro de 1995.

Devido sucesso de público e de crítica durante o evento – que alterna com Paris como o maior salão de automóveis da Europa – em dezembro daquele mesmo ano foi decidida a entrada em produção do Audi TT Coupé em série. “Para nós, o maior elogio foi quando a imprensa especializada notou que havia muitas mudanças do projeto para o modelo de série, embora tenha sido necessário, é claro, adaptar muitos detalhes devido às especificações técnicas da versão de série, incluindo as proporções”, lembra Torsten Wenzel, o designer de exteriores da Audi que ajudou a introduzir o estudo na produção em série.

Audi TT Coupé

Inspirado pelo Bauhaus, cada linha do Audi TT tem um propósito, cada forma uma função. “Na Audi Design, sempre seguimos a filosofia de “menos é mais”. Trazer à tona o caráter único do Audi TT Coupé, reduzindo-o ao essencial, foi uma tarefa desafiadora e especial para nós, designers”, revela Wenzel.

Em sua visão, a carroceria do Audi TT parecia ser feita de uma só peça, e as linhas limpas na dianteira, sem as tradicionais saliências do parachoque, enfatizavam o seu design marcante. Compacto, o cupê de duas portas media 4.041 mm de comprimento, 1.764 mm de largura e apenas 1.346 mm de altura, com entreeixos de 2.422 mm; na versão quattro, com tração integral, a distância de um eixo a outro era estendida para 2.428 mm.

Audi TT Coupé

Um dos pontos mais notáveis do design do Audi TT Coupé foi a integração de uma janela lateral traseira, que alongou o perfil do carro e aumentou a dinâmica do esportivo. Para Wenzel, o Audi TT continua sendo “uma escultura em movimento, com superfícies e linhas da mais alta qualidade”.  

Outro elemento de design contribui para a silhueta inconfundível do Audi TT Coupé: o círculo – ou “a forma gráfica perfeita”, como Wenzel o descreve. Diversos elementos circulares inspiraram o design externo e interno do esportivo.

Audi TT Roadster

Além de cores exclusivas como o chamativo laranja papaya ou o sedutor azul nogaro, os clientes poderiam equipar o TT com acessórios especiais instalados de fábrica. Por exemplo, o design de “luva de beisebol” para os assentos de couro no Audi TT Roadster, originalmente um atrativo no show car, passou para a produção em série.

A gama de motores da primeira geração do Audi TT era ampla e naturalmente esportiva. O primogênito da família trazia motores turbo de quatro cilindros, instalados em posição central (entre os eixos), com potências de 150 ou 225 cv, mais a versão V-6, de 250 cv.

Audi TT Coupé quattro Sport

Os clientes de TT de primeira geração tinham muitas opções quando se tratava de equipamentos especiais. Nessa fase, um dos destaques da gama de motores foi o quatro cilindros do Audi TT quattro Sport, com potência elevada para 240 cv e tração nas quatro rodas. Nessa configuração, foram 1.168 unidades entregues, de acordo com a marca.

Audi TT Roadster

Ao longo de oito anos de produção, até meados de 2006, saíram da linha de produção 178.765 unidades do Audi TT Coupé de primeira geração, enquanto na versão Roadster (conversível, com teto rígido removível ou de lona rebatível ) foram construídos 90.733 exemplares.

2ª GERAÇÃO (2006 – 2014)

Audi TT Coupé

Nas duas gerações seguintes, os designers mantiveram a “redução ao essencial” como princípio de design dominante, o que se evidencia, por exemplo, no design minimalista do exterior e no interior elegante e orientado para o condutor.

A forma arredondada e o motivo circular permaneceram inalterados no portfólio do TT, unificando o design externo e interno do modelo. Nesse sentido, valem como exemplos a tampa do tanque de combustível (feita de alumínio), as saídas de ar arredondadas, a manopla de câmbio diferenciada e o arremate ao redor dela, no console central.

Audi TT Coupé

Derivada da plataforma da segunda geração do Audi A3, a também segunda geração do TT Coupé foi lançada em 2006, com a versão Roadster chegando no ano seguinte.

Um dos destaques do novo modelo foram os inéditos os amortecedores adaptativos com condução magnética, oferecidos como item opcional, que adaptavam continuamente os componentes de amortecimento ao perfil do piso e ao estilo de condução.

Audi TT RS

Em 2008, foi lançada a versão mais do que esportiva TTS, com motor turbo de 2 litros e 272 cv, seguido, um ano depois, pelo TT RS, com propulsor turbo 2.5 de cinco cilindros, com 340 cv e 360 cv no Audi TT RS plus. Em 2008, a marca das quatro argolas lançou o TT 2.0 TDI quattro – o primeiro carro esportivo de produção do mundo com motor a diesel.

3ª GERAÇÃO (a partir de 2014)

Audi TT Coupé

A terceira geração do Audi TT estreou em 2014 e, mais uma vez, a fabricante usou a nova geração para reduzir seu peso. O TT Coupé, com motor 2.0 Tfsi e transmissão manual, pesava apenas 1.230 kg, até 50 quilos mais leve do que antes.

Para os novos TT e TT RS, os designers reinterpretaram as linhas inconfundíveis do TT original de 1998 para a era moderna. Eles as enriqueceram com inúmeras facetas dinâmicas, enquanto a tampa redonda do tanque de combustível com as típicas letras TT permaneceu fiel ao longo das gerações. Muitos detalhes também lembram deliberadamente o clássico design da primeira geração do esportivo.

Audi TT Coupé

Em termos técnicos, o TT de terceira geração ofereceu várias inovações. Por exemplo, o modelo marcou a estreia do cockpit virtual Audi, um painel de instrumentos totalmente digital com telas altamente detalhadas e versáteis, que substituíram os instrumentos analógicos e o monitor MMI.

Em 2016, uma nova era para a tecnologia de iluminação automotiva começou no Audi TT RS, quando a Audi usou LEDs orgânicos, conhecidos como Oled, pela primeira vez.

Audi TT Roadster

A gama de motores do esportivo também impressiona. O modelo de topo foi inicialmente o Audi TTS, com motor turbo de 2 litros e 310 cv; em 2016, veio o TT RS, com motor turbo de cinco cilindros e 2,5 litros, uma das unidades mais empolgantes que a marca tem a oferecer. Com seus 400 cv, o propulsor ostentava um ruído intimidador, além de ter sido eleito o “Motor Internacional do Ano” por nove vezes consecutivas.

CENA DE CINEMA

Audi aterrissa no Anhembi

O Audi TT chegou ao Brasil no já final de 1998. E em altíssimo estilo, literalmente. Às vésperas do Salão do Automóvel de São Paulo, por volta de 12h30, aproveitando a pausa da chuva naquele dia cinzento de outubro, o esportivo surgiu no céu içado por um helicóptero e aterrissou no meio da pista do Sambódromo do Anhembi, bem ao lado do Centro de Convenções, onde o evento automotivo era realizado.

A ação de marketing cinematográfica – bem ao estilo dos filmes do agente secreto 007 – foi criada pela Senna Imports, a representante oficial da Audi para o mercado brasileiro, na época.

Chegada do Audi TT Coupé a São Paulo

O Audi TT de primeira geração desembarcou aqui em duas configurações do motor 2.0 turbo, com 180 cv ou 225 cv, e transmissão manual de cinco ou seis marchas, na ordem – essa última com tração integral quattro.

EXPRESSO DA MEIA-NOITE

Audi TT Roadster 1998

Desde o início, o TT foi produzido pela Audi Hungaria Motor Kft., empresa subsidiária integral da marca alemã instalada na ex-república soviética. As carrocerias do TT, já pintadas, eram transportadas durante a noite, por trem, desde a fábrica de Ingolstadt, na Alemanha, até Győr, na Hungria, onde ocorria a montagem final.

Esse método de produção envolvendo o transporte sobre trilhos de uma planta a outra, ao longo de 477 km, passando por três países – incluindo a Áustria -, foi único na indústria automotiva da época.

Audi TT Coupé 1998

Coincidentemente, em 2023, a Audi Hungria também celebra uma data importante, ao completar três décadas de atividades, em fevereiro.

Há dez anos, a fábrica húngara evoluiu para uma linha de produção completa, passando a ser responsável pela fabricação integral do Audi TT, incluindo a estampaem da carroceria. Desde a sua fundação, a Audi Hungaria construiu mais de 43 milhões de motores e quase dois milhões de veículos.

Fonte: Audi Brasil, G1 e Wikipedia I Edição: Fábio Ometto I Imagens: Divulgação




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