AUDI REVELA VISUAL FÓRMULA 1 I De malas prontas para desembarcar na Fórmula 1 em 2026, assumindo de vez o controle da atual equipe Sauber, a Audi revelou na Alemanha a prévia do carro que marcará sua estreia na principal competição do automobilismo mundial.
A apresentação no espaço Audi Brand Experience Center, instalado dentro do aeroporto de Munique, contou com as presenças do CEO da marca simbolizada pelos quatro anéis entrelaçados, Gernot Döllner, dos diretores da Sauber – futura Audi F1 Team – Mattia Binotto e Jonathan Wheatley, e dos pilotos titulares da equipe, o veterano alemão Nico Hülkenberg e o jovem e promissor brasileiro Gabriel Bortoleto, que estreou este ano na categoria.
Embora o modelo Audi R26 Concept usado na apresentação não deva ser uma fotografia em 3D do carro que irá para as pistas no ano que vem – afinal, o segredo é a alma das vitórias -, o conceito de pintura aplicada ao protótipo em tamanho real revela o esquema de cores que cobrirá o primeiro monoposto de Fórmula 1 concebido pela Casa de Ingolstadt.
A identidade visual é baseada na filosofia de design recentemente adotada pela Audi e nos quatro princípios que regem o desenho da marca: claro, técnico, inteligente e emocional.
Assim, a composição da pintura (ou layout, se preferir) traz, na visão da fabricante alemã, “superfícies gráficas minimalistas, definidas por cortes geométricos precisos, que se integram perfeitamente à geometria do carro de corrida.”
A paleta de cores é formada pelo cinza metálico, que remete ao titânio, material nobre intensamente utilizado nos F1; o preto, em referência ao carbono, elemento básico da fibra sintética que compõe os chassis; e o incandescente vermelho Audi, que atrai o olhar como a própria imagem viva do fogo.

Apesar da denominação exclusiva, trata-se, visualmente, da mesma tonalidade que caracterizou a McLaren em sua época dominante na F1, entre as décadas de 1980 e 1990. E, para quem acompanha a categoria desde aqueles tempos, é imediata e nostálgica a associação com os carros que levaram Ayrton Senna a conquistar seus três títulos mundiais.
Ainda como parte dessa nova identidade, os bólidos de corrida trarão o logotipo da Audi no mesmo tom luminescente, para destacar a presença da marca no grid.
“Estamos implementando uma linguagem de design unificadora que reúne todos os aspectos da nossa organização”, afirma Massimo Frascella, diretor de criação da Audi. “Isso torna o projeto de F1 pioneiro para a nova identidade da marca, que será lançada no futuro tanto para a equipe quanto para a Audi como um todo.”
TRILHA PARA O SUCESSO

As profundas mudanças no regulamento técnico da Fórmula 1 que entram em vigor a partir de 2026 representaram a oportunidade ideal para que a Audi – leia-se Grupo Volkswagen – finalmente se lançasse na categoria, após suas incursões vencedoras pelo Mundial de Endurance e Rali Dakar.
A decisão foi anunciada em 2022, junto com o retorno da marca-irmã Porsche à competição, o que acabou não se concretizando – ao menos por enquanto.
O fato de todos os concorrentes terem de se familiarizar ao mesmo tempo com os novos carros e tecnologias torna as condições mais equilibradas para quem está estreando categoria – o que vale também para a Cadillac, que vai ampliar dos atuais dez para 11 o número de equipes no grid em 2026.

O passo final que colocou a Audi definitivamente dentro da F1 foi dado no início deste ano, com a aquisição total pela marca – em parceria com um fundo de investimentos sediado no Catar -, da equipe fundada pelo suíço Peter Sauber.
No entanto, a injeção de recursos pela montadora alemã junto à escuderia instalada em Hinwill, nos arredores de Zurique, começou já em 2024, com as primeiras contratações para a atual temporada, entre elas a do piloto brasileiro Gabriel Bortoleto, que emendou os títulos da F2 e F3 da FIA nos dois últimos anos.
A Audi F1 Team também já tem acordos comerciais com a marca de artigos esportivos Adidas e com a fintech Revolut.
TUDO FEITO EM CASA
Há cerca de três anos, a Audi vem desenvolvendo a unidade de potência para a Fórmula 1 Neuburg an der Donau, na Alemanha. Ela combina o motor V-6 de combustão interna (ICE), com 1,6 litro de cilindrada e turbocompressor, a um gerador/motor elétrico (MGU-K) e ao sistema de recuperação de energia (ERS) – que inclui a bateria para armazenamento (ES) -, tudo gerenciado pela unidade de controle eletrônico (CU-K).
Segundo a fabricante alemã, a potência do motor elétrico foi triplicada e, no futuro, estará em um nível comparável ao do motor de combustão, o qual será alimentado por combustíveis sintéticos já a partir do ano que vem (outra novidade do regulamento). Por isso, a Audi mantém uma parceria com a petrolífera britânica BP desde o início do projeto F1.
Na mesma planta de Neuburg também está sendo desenvolvida a caixa de câmbio que complementa o trem de força da Audi.

Os chassis dos monopostos de corrida continuarão a ser construídos na fábrica localizada nos alpes suíços, onde também ficarão abrigadas as áreas de planejamento e de execução das operações da equipe.
Em meados deste ano, entrou em operação o escritório de tecnologia da escuderia, localizado em Bicester, na Inglaterra.
PRIMEIROS QUILÔMETROS

O lançamento oficial da Audi F1 Team acontecerá logo nos primeiros dias de 2026. Pouco dias depois, no final de janeiro, seus carros estrearão na pista durante os testes de experimentação (conhecidos como shake down) da nova geração dos monopostos da Fórmula 1, que serão realizados a portas fechadas no autódromo de Barcelona.
O público poderá ver de perto pela primeira vez os carros da Audi em ação nos testes pré-temporada no circuito do Bahrein, programados para os dias 11 a 13 e 18 a 20 de fevereiro. A tão esperada estreia da marca dos quatro anéis em um Grande Prêmio de Fórmula 1 acontecerá no circuito de rua de Melbourne, na Austrália, no dia de 8 de março.

“Não estamos entrando apenas para estar lá. Queremos vencer”, afirma o CEO da Audi, Gernot Döllner. “Ao mesmo tempo, sabemos que a mudança para a Fórmula 1 é um grande passo e que precisamos fazer as coisas da maneira certa. É preciso tempo, perseverança e questionamento incansável do status quo”, avalia o executivo. “Até 2030, queremos lutar pelo título do Campeonato Mundial.”
E Gabriel Bortoleto terá um papel fundamental nesta jornada, que o colocará em condições de ser o próximo brasileiro a lutar por vitórias e títulos. ♦
Edição: Fábio Ometto I Fonte: Audi Global I Imagens: Divulgação
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