Mercedes-AMG W13: as flechas de prata voltaram – e ainda mais velozes!

Equipe alemã retoma sua cor tradicional e crava melhores tempos da sessão inicial da pré-temporada em Barcelona, na estreia de Russel como parceiro de Hamilton

Mercedes-AMG W13: as flechas de prata voltaram - e mais rápidas do que nunca!

Após 18 meses de trabalho árduo, a equipe Mercedes-AMG de Fórmula 1 revelou o W13 E Performance para a disputa da temporada deste ano, que é o 13º carro construído pela marca da estrela de três pontas desde o seu retorno à categoria, em 2010. O resultado é um modelo 98% inédito, herdando do antecessor apenas o complexo volante de direção multi-funcional.

Em busca de seu nono título consecutivo de Construtores, a equipe alemã terá uma nova parceria de pilotos, com a chegada de George Russell para ser o companheiro de equipe do heptacampeão Lewis Hamilton, ambos britânicos. E, partindo do resultado dos primeiros três dias de testes pré-temporada com os novos pneus de 18 polegadas, realizados de 23 a 25 de fevereiro no circuito de Barcelona, na Espanha, quando Hamilton e Russell estabeleceram os melhores tempos, o novo W13 promete manter a hegemonia da Mercedes-AMG ao longo do Campeonato de 2022 (confira a tabela completa no final do texto).

Mercedes-AMG W13: retorno às origens

Além das evoluções fundamentais no projeto do carro trazidas pelo novo regulamento técnico, a equipe que venceu os últimos oito títulos do Mundial de Construtores retoma a sua pintura tradicional, trazendo de volta ao grid os bólidos conhecidos como “flechas de prata”.

Embora as mudanças nas especificações do conjunto de propulsão híbrida, chamado de Unidade de Potência, não tenham sido tão significativas para 2022 quanto as mudanças no chassi, o desafio não foi menos desafiador para a Mercedes AMG High Performance Powertrains (HPP), responsável pelo projeto e desenvolvimento dos trens de força da equipe, instalada em Brixworth, na Inglaterra.

Mercedes-AMG W13 é o 13º carro de F1 construído pela marca após seu retorno à categoria

De acordo com as informações superficiais divulgadas no lançamento do W13, foram alteradas mais peças para o novo conjunto motriz do que em qualquer especificação anterior desde a introdução do V-6 turbo em 2014, já que o regulamento desses componentes ficará congelado pelas próximas três temporadas, incluindo a caixa de câmbio de oito marchas.

Uma diferença marcante nos chassis de 2022 produzidos em Brackley, também na Inglaterra, serão os novos pneus de 18″, substituindo os aros anteriores de 13”.

Ponto de partida para o desenho do W13 foi o novo regulamento, que inclui pneus maiores de 18″

A introdução do combustível E10 para 2022, que mistura 10% de etanol com 90% de combustível fóssil (gasolina), também colocou demandas consideráveis na equipe de engenharia da HPP, uma vez que a Fórmula 1 dá um passo importante para sua meta de combustível 100% sustentável a partir de 2026.

“Os pilotos vão exigir da unidade de potência coisas diferentes, por causa das novas características do carro. A quantidade de tempo total do acelerador e as maneiras como eles se aproximam e saem das curvas não serão exatamente como costumavam ser, e isso terá um impacto sobre como é recuperada a energia e reutilizada”, afirmou Hywel Thomas, diretor geral da Mercedes AMG HPP.

Do modelo do ano passado restou apenas o volante multi-funcional

No início da temporada de 2020, a mudança para a pintura totalmente preta simbolizava o compromisso da Mercedes-AMG em promover maior diversidade e inclusão dentro da própria equipe e da categoria. Ao final do ano, a iniciativa culminou com o lançamento do programa Accelerate 25, que tem por objetivo tornar a escuderia mais diversificada e inclusiva dentro das cinco temporadas seguintes. Em seu primeiro ano, a iniciativa elevou de 12% para 14% o número de mulheres na equipe, enquanto os funcionários de grupos étnicos minoritários subiram de 3% para 6%.

“A pintura rubro-negra foi uma clara demonstração da missão de nos tornarmos uma equipe mais diversificada e inclusiva. Firmou-se parte do nosso DNA, mas a cor prateada é nossa história. Portanto, nossas cores daqui para frente serão prata e preto”, justificou Toto Wolff, diretor da equipe e presidente-executivo da Mercedes-AMG Petronas F1 Team. “Aumentar a diversidade da nossa equipe não se refere ao cumprimento de uma cota, trata-se de recrutar as melhores pessoas, independentemente da etnia, gênero, religião e orientação sexual”, finalizou o investidor e ex-piloto austríaco.

Hamilton, Wolff e Russell: em busca do nono título consecutivo para a Mercedes-AMG

George Russell juntou-se ao programa de jovens pilotos da Mercedes no início de 2017, após um impressionante recorde nas categorias menores, tornando-se campeão da GP3 no mesmo ano. Ao final da temporada passada, ele finalizou seu compromisso como piloto reserva e “emprestado” para ser um dos titulares da equipe Williams, passando a frequentar a base de Brackley, como forma de se familiarizar com a nova equipe.

Já Hamilton parte para sua décima temporada na Mercedes-AMG mirando o oitavo título entre os pilotos, com o cartel de 103 vitórias, o mesmo número de pole positions e 182 pódios.

Estreando como piloto oficial da Mercedes-AMG, Russell mostrou estar “em casa” no novo carro

“Nunca o vi tão determinado”, disse Wolff, referindo-se ao heptacampeão. “Lewis é o melhor piloto do mundo, e a ele se junta um dos mais brilhantes e promissores pilotos da atual geração (Russel). Não tenho dúvidas de que podemos criar um ambiente de parceria entre os dois, de produtividade para desenvolver esse novo carro que será essencial, mantendo uma competição saudável que irá motivá-los e a equipe em geral.”

E o resultado dos primeiros testes pré-temporada com os novos pneus de 18”, encerrados na sexta-feira (25), confirma o otimismo do chefão da Mercedes-AMG F1. Todos os pilotos das dez equipes treinaram em pista seca nos dois primeiros dias, bem como na manhã do terceiro dia, enquanto na sessão final, realizada na tarde da sexta, o asfalto foi molhado artificialmente para avaliar os pneus de chuva.

Tempo de Hamilton na pré-temporada em Barcelona é cerca de 1s mais rápido que no GP de 2021

O tempo geral mais rápido dos três dias de ensaios foi registrado por Hamilton, que cravou 1m19s138 nas últimas voltas de sexta-feira, com pista seca. A segunda melhor marca ficou para Russell, a menos de um centésimo de segundo do heptacampeão, com 1m19s233. De acordo com Mario Isola, gerente mundial de motorsport da Pirelli, esses tempos significam cerca de um segundo de volta mais rápido em comparação com o GP da Espanha do ano passado, o que torna provável que os carros fiquem ainda mais rápidos do que seus antecessores até o final desta temporada.

Confira a tabela completa dos tempos em Barcelona, com as melhores voltas de cada piloto ao longo dos três dias de testes:

Tabela de tempos oficial dos primeiros testes de 2022 divulgada pela Pirelli

Fonte: Mercedes-AMG F1 I Edição: Fábio Ometto I Imagem: Divulgação