DTM 2019: o que esperar da nova era turbo

Campeonato alemão deve ficar ainda mais eletrizante com a chegada dos motores 2.0 de quatro cilindros, de 610 cv, junto ao pacote de recursos para acirrar as disputas

DTM 2019: o que esperar da nova era turbo [Divulgação]

O DTM – ou Campeonato Alemão de Carros de Turismo – está para a Fórmula 1 o que a Nascar – a Stock Car estadunidense – está para a Fórmula Indy. Ou seja, o topo da cadeia alimentar em seus habitats, as categorias de carros de turismo da Europa e dos Estados Unidos, respectivamente.

Prestes a dar a largada à sua 20ª temporada no atual formato, neste final de semana, no circuito de Hockenheim, na pátria-mãe Alemanha, o Deutschland Tourenwagen Masters – ou, para facilitar bastante, só DTM -, traz muito mais do que novas pinturas ou rostos estreantes.

E quem melhor do que aqueles que tomam as decisões dentro das equipes para nos apresentar as novidades no DTM e como elas vão influenciar as corridas deste ano?

Veja o que eles dizem, abaixo, de acordo com o site oficial da categoria.

BMW M4 DTM [Divulgação] Bruno Spengler, ( CAN, BMW Team RBM )

Sob o capô (literalmente), o DTM abriga uma grande mudança. Lá se foram os cultuados motores V-8, substituídos a partir deste ano por ruidosos e potentes quatro cilindros turboalimentados. Agora despejando 610 cv nas rodas traseiras e contando com um pacote de modificações aerodinâmicas, a nova raça de carros do DTM é a mais veloz de todos os tempos.

Ao mesmo tempo, novos recursos do botão de ultrapassagem, o push to pass (P2P) – que libera alguns cavalos a mais ao motor durante poucos segundos -, farão os carros andarem ainda mais próximos.

Aston Martin Vantage DTM [Divulgação]

Foi embora, também, a atual campeã Mercedes-Benz, que após conquistar oito dos 19 títulos de marcas já disputados na categoria, dá lugar à Aston Martin, marca-ícone de carros esportivos britânicos, que correrá por meio do licenciamento da preparadora suíça R-Motorsport. A fabricante se junta à Audi e à BMW para fazer do grid do DTM, certamente, o mais premium em todo o mundo.

Pietro Fittipaldi e o Audi RS 5 DTM [Divulgação l Montagem]

Para nós brasileiros, a novidade é a estreia de Pietro Fittipaldi, ao volante de um Audi RS 5. Aos 22 anos, o neto do bicampeão de Fórmula 1 Emerson Fittipaldi será companheiro de equipe do sul-africano Jonathan Aberdein (21), na WRT Team Audi Sport, equipe-cliente da marca alemã. Os dois formarão a dupla de pilotos mais jovem no grid do DTM este ano.

DTM 2019 [Divulgação] Robin Frijns ( NED, Audi Sport Team Abt )

Com tantas inovações aerodinâmicas e refinamentos técnicos, equipes, engenheiros e pilotos têm muito o que aprender, antes e durante esta revolucionária temporada do DTM.

Logo de saída, o foco das atenções estará na degradação dos pneus, mantidos idênticos aos usados em 2018. Mas, então, por que a preocupação? Simples: a carga de força extra dos motores a que serão submetidos e a tração adicional que será transmitida por meio deles.

DTM 2019 [Divulgação] Marco Wittmann ( D, BMW Team RMG )

Os compostos e os tipos de construções do último ano agora precisam surportar ao torque e à potência adicionais; e isso, com certeza, vai reduzir a capacidade de sobreviverem às sequências de voltas em ritmo de corrida (stints), tal como suportavam em 2018. O impacto no comportamento dos carros é certo.

“Fazer os pneus funcionarem será o grande desafio para as primeiras provas”, diz Arno Zensen, chefe da equipe Audi Sport Team Rosberg, pertencente ao ex-piloto e campeão da F1, Keke Rosberg, pai de Nico, que repetiu a conquista. “Pelo fato de os pneus serem os mesmos, mas com o torque bem maior, teremos muito mais problemas de pneus, e isso tornará as corridas ainda mais interessantes, com certeza.”

Vincent Vosse, chefe de Fittipaldi na equipe WRT, acredita que, ao final dos stints, os carros estarão muito difíceis de guiar, e isso pode ser muito bom para as corridas.

DTM 2019 [Divulgação]

Bart Mampaey, que corre pela equipe BMW RBM, pensa que não será apenas nas corridas que a contribuição dos pilotos fará a diferença. “Estamos para ver duas áreas específicas de especialização este ano”, explica ele. “A primeira é a qualificação, quando os pilotos vão precisar extrair o máximo desempenho dos pneus em apenas uma volta.  E a segunda é a corrida; com a potência extra dos motores, o desgaste dos pneus traseiros terá de ser controlado. Estou curioso para descobrir qual piloto fará isso da melhor maneira.”

A vida útil dos pneus será mais curta – e não há, hoje, uma forma de se trocar os pneus nas voltas iniciais e administrar os compostos até a bandeira quadriculada. Isso mudará as estratégias das equipes. Também é esperado que alguns pilotos tenham de lutar contra a degradação dos pneus ao final dos stints – com todos os desdobramentos que isso vai trazer para as corridas e ultrapassagens.

Motor BMW P48 2019 [Divulgação]

Pilotos de corrida sempre querem mais potência. Felizmente, os fãs também. E o DTM certamente vai corresponder a ambos em 2019. Os motores V-8 do ano passado produziam em torno de 500 cv de potência. Os quatro cilindros 2.0 turbo deste ano despejam em torno de 610 cv – e outros 30 quando é acionado o modo “ultrapassagem” no sistema push do pass. Sem dúvidas, um aumento considerável.

“Os carros serão muito mais desafiadores para os pilotos este ano”, afirma Florian Kamelger, da R-Motorsport. “Eles têm muito mais potência, são mais leves e, certamente, o cuidado com os pneus será desafiador. Mas os pilotos gostam disso!”

DTM 2019 [Divulgação]

O diretor da equipe BMW RMG, Stefan Reinhold, acredita que os carros estão muito mais rápidos e os espectadores verão claramente a velocidade e a aceleração extras quando estiverem assistindo. “Com menos downforce (pressão exercida pelo ar sobre o carro em movimento, forçando-o contra o solo) e velocidades maiores, as distâncias de frenagem serão mais longas e, com isso, as corridas serão mais acirradas. Haverá mais disputas. E a utilização dos pneus determinará que os primeiros colocados sejam decididos na volta final.”

Para Thomas Biermeyer, da ABT Sportslines, outro momento em que a força extra pode fazer a diferença é a largada, feita com os carros parados. “O aumento do torque torna mais difícil manter os carros alinhados. Então as largadas serão mais complicadas, e poderemos ver um bom número de carros partindo antes ou atrasados no grid.”

A expectativa também é de que as corridas serão ainda mais inquietantes. As frenagens em alta velocidade serão mais longas, o que significa que as ultrapassagens podem ser facilitadas. Com mais tração e impulso, é de se esperar um número maior de erros e de variáveis, especialmente nas largadas e ao final das corridas. Levados ao limite, os carros de 600 cv serão muito mais emocionantes.

DTM 2019 [Divulgação]

Diferentemente da Fórmula 1, porém, onde pilotos e engenheiros podem definir a estratégia durante a corrida, ´por meio do rádio, todas as comunicações no DTM – com exceção de emergências e situações de risco à segurança – foram banidas. Isso significa que os pilotos não podem ser orientados facilmente e vão ter de lutar pelas posições na pista, sem ajuda.

A adoção de um novo sistema push to pass (P2P), combinado ao já existente sistema de redução de arrasto (DRS, na sigla em inglês) – também semelhante ao da principal categoria de monopostos – coloca mais responsabilidade sobre os ombros dos pilotos. “Eles terão que realmente gerenciar essas coisas por eles mesmos”, diz o chefe da equipe Audi Team Phoenix, Dirk Theimann. “Isso pode fazer com que os mais experientes, ou aqueles que têm participado de provas de longa duração, estejam mais capacitados a andar no pelotão da frente.”

O sistema P2P usa um restritor do fluxo de combustível, o qual permite aos pilotos enviarem um volume constante de 5 kg/h de combustível para dentro das câmaras de combustão, o que resulta em um empurrão de 30 cv a mais, que pode ser acionado até 12 vezes por corrida.

DTM 2019 [Divulgação] Heckflügel Audi

Fora isso, os responsáveis pelo regulamento do DTM flexibilizaram as regras para o uso do DRS. No ano passado, ele só podia ser acionado pelo piloto a uma distância mínima de um segundo para o carro da frente (mesmo critério utilizado na F1); a partir de agora, esse intervalo foi ampliado para 3 segundos, o que tornará as aproximações mais rápidas e possibilitará maior alternância de posições. E para adicionar mais pimenta nas disputas pelas primeiras posições, todos os pilotos logo atrás do líder poderão utilizar o DRS nas últimas cinco voltas das provas.

DTM 2019 [Divulgação]

Tudo isso dá uma clara indicação de que a categoria está trabalhando intensamente para aumentar o espetáculo e melhorar o show – princípio que sempre norteou o DTM, segundo seus organizadores.

E para os protagonistas de todas essas emoções, não será uma adaptação fácil, como explica Reinhold: “Os pilotos terão que mudar o seu estilo de conduzir o carro; veremos diferentes técnicas empregadas para cuidar dos pneus”, preconiza ele. “O pacote de aerodinâmica revisado também terá seu efeito, e os pilotos terão que se adaptar às velocidades muito maiores. Também o push to pass terá de ser usado de forma um pouco mais estratégica. Os pilotos precisarão ser mais rápidos, mais inteligentes e mais sensíveis em 2019.”

Motores mais fortes, carros mais rápidos e difíceis de pilotar, combinados aos recursos para diminuir o campo de batalha.  É claro que estamos diante de mais uma temporada eletrizante do DTM – e possivelmente a mais disputada de todos os tempos.

Confira o calendário do DTM 2019, com quatro etapas fora da Alemanha:

3 a 5/maio – Hockenheim (ALE)

17 a 19/maio – Zolder (BEL)

7 a 9 /junho – Misano (ITA)

5 a 7/julho – Norisring (ALE)

19 a 21/julho – Assen (HOL)

10 e 11/agosto – Brands Hatch (ING)

23 a 25/agosto – Lausitzring (ALE)

13 a 15/setembro – Nürburgring (ALE)

04 a 06/outubro – Hockenheim (ALE) As provas são transmitidas por meio de live stream, disponível em DTM.com.